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domingo, 21 de agosto de 2011

AVC: é possível prevenir a doença que mais mata no país

Até o final da leitura deste texto, uma pessoa terá morrido em decorrência de Acidente Vascular Cerebral (AVC) — principal causa de óbito no Brasil. A incidência aumenta em 20% no inverno e as regiões Sul e Sudeste são as que mais somam casos de derrame. Prevenir o aparecimento da doença é simples. Basta seguir as determinações da boa saúde: alimentação de qualidade, controle do colesterol, da pressão arterial, além de cultivar a prática de exercícios físicos e não fumar.



O coração batendo descompassado e uma tosse insistente são alguns dos sintomas mais frequentes de quem esteve próximo a ter um derrame.


O fato de ter as taxas de glicose, colesterol, e os níveis de pressão equilibrados podem ter ajudado a livrar a aposentada de ter um AVC. Sorte não desfrutada por 400 mil indivíduos a cada ano no país — o equivalente ao número de habitantes de Caxias do Sul, a segunda cidade mais populosa do Estado. Desses, até 30% morrem em seguida do ataque. Do restante, 60% morre em cinco anos. 

A principal causa do AVC isquêmico, o tipo mais fatal e que mais deixa sequelas, é a hipertensão arterial. Para abordar o assunto e trabalhar na prevenção, na quarta-feira passada foi celebrado o Dia da Consciência Vascular, sob o tema Mantenha-se em Circulação. 

— A forma mais simples de resolver é deixando a vida sedentária.Com isso, os outros índices vão se ajeitando aos poucos — aponta Adamastor Humberto Pereira, presidente da Regional Rio Grande do Sul da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. 

Especialistas destacam que um dos principais erros cometidos pelos pacientes é demorar para procurar ajuda. Logo após os primeiros sintomas, cada minuto se torna precioso. Portanto, esperar que algum familiar chegue em casa para tomar providências ou ir sozinho ao hospital só atrasa o diagnóstico.

— O mais prudente é chamar a Samu, no 192. Esses profissionais estão habilitados a orientar desde o telefonema e sabem quais hospitais são mais indicados — explica a neurologista Sheila Cristina Ouriques Martins, coordenadora da ONG Rede Brasil AVC, que tem sede no Rio Grande do Sul.

Para o neurologista vascular Alexandre Pieri, responsável pelo ambulatório de AVC da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), a ausência de sintomas, porém, não significa que a pessoa não tenha que se cuidar.

— Apenas um terço dos pacientes apresenta sinais de que estão tendo um derrame, como falta de força de um lado do corpo ou distúrbios na fala. Eles se assustam e vão ao médico. O restante não tem essa sorte. O negócio é prevenir. 

Novos medicamentos ajudam a prevenir

A indústria farmacêutica tem evoluído a passos largos no desenvolvimento de drogas que ajudam a prevenir o AVC provocados por fibrilação atrial — um dos tipos mais comuns de arritmia e responsável por um a cada seis derrames. Após 50 anos sem novidades no segmento, uma nova geração de anticoagulantes chegou ao mercado nesse mês. O primeiro tem a dabigatrana como princípio ativo e já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).O segundo, a  rivaroxabana, já está em fase final de estudos e pode ser liberado em breve. Em comum, têm o benefício de quebrar um pouco a dependência do paciente com o médico.

Para Gilberto Nunes, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs), os níveis de prevenção do derrame são praticamente os mesmos dos que já existem. As vantagens estariam na comodidade. 

— As drogas dispensam os tradicionais exames de sangue para controlar os níveis de coagulação e também não interagem com outros medicamentos ou alimentos que contenham a vitamina K, como alface e brócolis. Mas tem um fator limitante, que é o preço (cerca de R$ 250).Ele é bem aplicado naqueles pacientes que não tem responsabilidade ao fazer o tratamento.

Aderir à risca às prescrições do médico é crucial. Poucos o fazem. Um pesquisa recente realizada em parceria com a ONG Rede Brasil AVC constatou que apenas 8% daqueles que tiveram derrame estavam utilizando o medicamento.

Números da doença

:: Incidência

- 1 em cada 6 pessoas terão o problema, estima a Organização Mundial de AVC

- 70 mil brasileiros morrem de AVC todos os anos — essa é a doença que mais mata no país

- 1 em cada 10 pessoas que sofreram um AVC tem outro ataque nos 12 meses seguintes

:: Tipos

- Em 85% dos casos, o AVC é isquêmico, quando um coágulo ou placa de gordura se instala em uma das artérias cerebrais, reduzindo ou impedindo a circulação sanguínea. Este coágulo pode se originar diretamente no cérebro, ou tem origem no coração ou nas artérias carótidas ou vertebrais e depois migrar para o cérebro.

- O AVC hemorrágico é caracterizado pelo rompimento de um vaso sanguíneo, desencadeando uma hemorragia no cérebro.

:: Progressão

- A cada hora sem tratamento, são perdidos 120 milhões de neurônios - ao todo o cérebro tem cerca de 90 bilhões dessas células. 

- Após o AVC, o cérebro usa sua capacidade de plasticidade neuronal para fazer com que outras áreas assumam as funções de coordenação executadas pelos neurônios danificados.

:: Corrida contra o tempo

Quanto mais rápido o atendimento, menor o dano. O que deve ser feito:

AVC isquêmico

- Até 4,5 horas após o início: pode ser dado o medicamento trombolítico, que irá estimular o organismo a destruir o trombo e reduzir em até 30% as sequelas. Porém, apenas 5% chegam a tempo. Além disso, a droga não pode ser aplicada em pacientes suscetíveis a hemorragia.

- De 4,5 horas a 8 horas após o início: é feita a terapia interarterial, na qual um cateter é usado para facilitar a destruição do trombo.

AVC hemorrágico

- Não há medicamento. O que se deve fazer é controlar a pressão sanguínea nas primeiras horas para evitar que a lesão aumente.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fundação do Câncer promove III Corrida e Caminhada Com você, pela vida


Evento acontece no dia 11 de dezembro no Aterro do Flamengo .

Estão abertas as inscrições para a III Corrida e Caminhada Com você, pela vida – Doe Medula Óssea, promovida pela Fundação do Câncer, que acontece no dia 11 de dezembro, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Os interessados poderão se inscrever pelo site www.cancer.org.br até o dia 6 de dezembro, mas quem antecipar a inscrição pagará menos. A renda obtida será revertida para projetos do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).
A expectativa é de que o evento, que marca a abertura da Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, reúna em torno de 3 mil participantes. Este ano, haverá duas alternativas de percurso. Os inscritos poderão participar nas categorias de 6 km ou 10 km de distância. Até o dia 30 de setembro, o valor das inscrições é de R$ 40,00. Depois, custará R$ 45,00 até o dia 31 de outubro. E de 1º a 6 de dezembro, R$ 50,00.
A inscrição garante ao participante um kit com sacola, camiseta e boné. Aqueles que estiverem usando os acessórios concorrerão a prêmios. Os que completarem a prova, correndo ou caminhando, receberão medalha de participação.
Pelo site, o pagamento poderá ser feito por boleto bancário, transferência bancária, cartão de débito ou cartões de crédito Dinners, Visa e Mastercard. Além do site, os interessados poderão se inscrever na loja Físico e Forma – loja 201, no Rio Sul, na Run Shop, rua Visconde de Pirajá, 580 – loja 217, em Ipanema ou na Loja de Tênis, na rua Senador Vergueiro, 238 – loja B, no Flamengo.
Conscientização - Para o superintendente da Fundação do Câncer, Jorge Alexandre Cruz, o evento está se consolidando no calendário carioca de corridas e de conscientização sobre hábitos saudáveis. “A corrida é um dos principais eventos de mobilização promovidos pela Fundação. Nosso objetivo é estimular a adoção de práticas saudáveis, fundamentais para a prevenção do câncer, e conscientizar as pessoas para a importância da doação de medula óssea”, comenta.
No dia da corrida e caminhada, uma unidade móvel do Hemorio estará no local para captação de doadores voluntários. No ano passado, a corrida foi realizada na Praia de Copacabana e reuniu cerca de 2.500 pessoas. Na ocasião, 224 pessoas se cadastraram como doadoras na unidade móvel do Hemorio.
Como doar medula óssea - O Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) possui 2,3 milhões de pessoas cadastradas, mas é necessário aumentar o número registros. Somente 25% dos pacientes encontram um doador na família, os outros 75% devem recorrer aos registros de doadores voluntários.
Para se tornar um doador é preciso procurar o hemocentro mais próximo, onde será coletada uma pequena quantidade de sangue (5ml) e preenchido um formulário com dados cadastrais. Qualquer pessoa, entre 18 e 54 anos de idade e que não tenha doença infecciosa transmissível pelo sangue, pode se cadastrar. Se for verificada compatibilidade com algum paciente, o doador é, então, convocado para fazer testes confirmatórios e realizar a doação.
O transplante de medula óssea é um tratamento indicado para pessoas com doenças de sangue, como leucemias, linfomas e alguns tipos de anemias. Os interessados em doar podem obter mais informações no site do INCA – www.inca.gov.br – ou pelo telefone (21) 3207-1064. [www.cancer.org.br ].

Dilma diz que SUS adotará sistema de internação domiciliar


Modelo de assistência "home care" é empregado para pacientes que demandam cuidados contínuos menos complexos e que podem ser mantidos em casa para recuperação mais rápida.
Dilma diz que SUS adotará sistema de internação domiciliar
Dilma Rousseff, em viagem de trabalho ao Ceará (Foto: Roberto Stuckert/Presidência)
São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff anunciou nesta quinta-feira (11), no Ceará, que o Ministério da Saúde irá adotar uma nova medida de atendimento domiciliar aos pacientes que necessitem de cuidados após os procedimentos nos hospitais públicos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Vamos montar uma estrutura de acompanhamento de pessoas em fase de recuperação. Com isso iremos desocupar leitos”, garantiu a presidenta em entrevista às rádios Verdes Mares e Jangadeiro.
Dilma ainda observou a importância da participação dos governos estaduais e municipais para o sucesso do novo sistema, que ainda este ano terá o investimento de  R$ 36,5 milhões, e promete garantir cuidados a doentes que não necessitarem da estrutura completa de um hospital. “Ela (a pessoa doente) pode ficar em casa se tiver alguém para cuidar. Vamos financiar a estrutura de acompanhamento dessas pessoas que estão em fase de recuperação", assegurou.
A internação domiciliar, ou home care, é adotado para pessoas que demandam cuidados contínuos de menor complexidade, sem necessitar de toda a estrutura de um hospital. Segundo especialistas de saúde, o sistema evita exposição dos pacientes ao ambiente – com menor risco de infecções. Defensores do modelo consideram que a recuperação tende a ser acelerada se a pessoa pode permanecer em casa, com os devidos cuidados. Convênios médicos já adotam o mecanismo, também com o intuito de reduzir custos, já que a ocupação de um leito de hospital é despendiosa para as empresas.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Massagem é melhor do que remédio para dor nas costas.


  • Técnica também se mostrou mais eficaz do que exercícios para diminuir a dor em curto prazo



  • Os pesquisadores de Seattle recrutaram 401 pacientes, a maioria de meia idade, mulheres, todas com dores crônicas na parte de baixo da coluna. Aquelas que receberam uma série de massagens relaxantes ou estruturais estavam mais dispostas a a trabalhar e eram mais ativas do que aquelas que tomavam medicamentos, incluindo analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares ou que faziam terapia física, descobriram os pesquisadores
    O pesquisador que liderou o estudo, Daniel Cherkin, diretor do Instituto de Pesquisa grupo de saúde, disse que esperava que a massagem estrutural, que manipula especificamente os músculos das costas e os ligamentos, superaria o relaxamento, que promete um sentimento de bem-estar no corpo todo.
    “Eu achei que a massagem estrutural seria pelo menos um pouco melhor, e não é esse o caso”, disse. “Se você está tendo problemas nas costas de maneira continua mesmo tendo utilizado medicamentos, massagem pode ser uma boa indicação. Acho que os resultados são bem fortes”, afirma.
    O estudo, financiado pelo Centro Nacional de Medicina Alternativa e Complementar, um braço do Instituto de Saúde dos EUA, foi publicado no dia 5 de Julho no Annals of Internal Medicine.
    Os participantes foram divididos em 3 grupos: massagem estrutural, massagem relaxante ou tratamento convencional (remédios). Aqueles no primeiro e segundo grupos receberam 1 hora de massagem por dia semanalmente durante 10 semanas.
    Depois das 10 semanas, 78 daqueles que receberam qualquer um dos tipos de massagem disseram que suas dores nas costas estavam muito melhor ou haviam sumido, contra apenas 5 pacientes que tomaram remédios.
    Aqueles nos grupos de massagem estavam duas vezes menos propensos a ficar na cama, usaram menos anti-inflamatórios e se engajaram em mais atividades do que o outro grupo.
    Cherkin disse que outra vantagem é que a massagem é relativamente segura. Um dos 10 pacientes sentiram dor durante ou depois da massagem, mas a maioria afirmou que é uma ‘dor boa’, disse ele. “Um bom massagista vai estar em sintonia com o paciente e perguntar se está doendo.”
    Um dos pontos questionáveis da pesquisa é que aqueles que recebiam medicamentos sabima que os demais estavam recebendo massagens e podem ter se sentindo desapontados ou excluídos, reportando maior dor, disse Robert Duarte, diretor do Centro de tratamento de dor de cabeça e dor, em Manhasset, N.Y. “Eu acho massagem pode ser útil para pacientes com dores nas costas, mas mais como uma terapia complementar.”

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

USP testa células-tronco para tratar diabetes

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto começaram a testar uma combinação de células-tronco extraídas da medula óssea com três quimioterápicos para tratamento de pacientes com diabete tipo 1. 

O trabalho está sendo realizado em parceria com cientistas da Universidade Northwestern, em Illinois (EUA), e deve atender 30 pacientes - 10 no Brasil, 10 nos Estados Unidos e 10 no Hospital Saint-Louis, em Paris, na França. 

O protocolo da pesquisa permite a participação de voluntários a partir de 12 anos, que tenham apresentado os primeiros sintomas da doença há no máximo três meses. 

A diabete tipo 1 é uma doença autoimune, caracterizada pela destruição das células produtoras de insulina, o que afeta a capacidade de metabolizar o açúcar. Essa forma da doença é mais comum em crianças e adolescentes. Se não for controlada, a doença pode afetar os rins, os olhos, a circulação e o coração. 

No tratamento, células-tronco da medula óssea são extraídas por meio de uma máquina capaz de separar os componentes do sangue e congeladas. Em seguida, o paciente passa por um tratamento com altas doses de quimioterápicos, para reduzir seu sistema imunológico. As células-tronco são então reinjetadas, como numa transfusão de sangue. Elas entram na corrente sanguínea e se encaminham para a medula óssea. 

"A ideia é que, após o procedimento, o sistema imunológico do paciente se altere e ele não ataque mais o pâncreas", explica Júlio Voltarelli, coordenador da Divisão de Imunologia Clínica e da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. 

"A gente ainda não fala em cura da diabete, mas em remissão, em uma melhora da doença. E estamos tentando fazer isso pela neutralização do sistema imunológico", explica. 

Por reduzir temporariamente as defesas do organismo, o tratamento deixa o paciente mais sujeito a infecções, por exemplo. "Acreditamos que esse efeito colateral não é tão grave. Os pacientes ficam vulneráveis a infecções por um tempo curto, pouco mais de uma semana", diz o médico. 

"O diabete, principalmente em crianças, é terrível. Ela cresce dependente de insulina e ao final poderá ter complicações cardíacas, neurológicas, vasculares e impotência." 

Dificuldade. A equipe de Voltarelli realizou outra pesquisa para tratar diabete tipo 1 há oito anos. O método também utilizou uma associação de células-tronco com quimioterápicos. 

Dos 25 pacientes que foram submetidos ao tratamento, nenhum teve complicações sérias - 2 tiveram algum tipo de infecção, que foi tratada sem maiores complicações. 

Todos deixaram temporariamente de usar insulina, mas a maioria precisou retomar as injeções do hormônio. Passados oito anos, apenas seis continuam sem aplicar as injeções. 

"Estamos mudando o esquema de tratamento para tentar reduzir o número de pacientes que volta a usar insulina", afirmou Voltarelli. A diferença na pesquisa atual é a mudança nos medicamentos usados. 

Atualmente, vários centros de pesquisa no mundo estudam uma forma de tratar o diabete tipo 1 utilizando células-tronco. Há também pesquisas sendo feitas em Harvard e na Universidade Stanford, ambas nos Estados Unidos.