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terça-feira, 1 de junho de 2010

Asma mata oito brasileiros por dia!


Asma mata oito brasileiros por dia

País registra mais de dois mil óbitos por conta da doença respiratória que não deveria ser letal

Lívia Machado, iG São Paulo

A inflamação crônica das vias respiratórias, popularmente conhecida como asma, acomete 20% da população brasileira. Embora não tenha cura, quando diagnosticada, é facilmente tratada. Requer controle e cuidados do paciente, mas na prática, não deveria ser mortal. Dados do Ministério da Saúde, porém, revelam um índice surpreendente de óbitos provocados por conta da doença: duas mil pessoas morrem e mais de 300 mil são internadas com crises agudas.
Nesta sexta-feira, 07, é comemorado o Dia Mundial de Combate à Asma. A data serve de alerta para a população e entidades públicas, pois marca o início da temporada de internações - de maio a julho -provocadas pela doença.
Esses números, segundo Jaquelina Ota, pneumologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, e presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia, deveriam ser nulos ou próximos de zero. “A asma não mata. Os dados são alarmantes e revelam o descontrole no trato da doença.”
A especialista revela que a mortalidade da asma é provocada por uma conjunção de fatores. Falta de cuidado do paciente, automedicação e atendimento ambulatorial precário encabeçam a lista. A morte, segundo ela, só ocorre em uma crise maltratada, seja pelo paciente, que não deu a devida importância e deixou de procurar por atendimento, ou pelo serviço médico não adequado.
“O paciente, no dia a dia, é capaz de controlar a doença. O grande problema é não respeitar a gravidade da crise e se automedicar sem limite. Quando a tosse começa a ser muito freqüente e a falta de ar não é sanada com o auxilio do medicamento, é necessário procurar um pronto-socorro. Essa deve ser a orientação dos médicos e a postura do paciente. Se ele não chegar a tempo no hospital, o atendimento não é capaz de reverter os danos da crise a pessoa morre por falta de ar.”
Levantamento feito pelo Delas no DATASUS, banco de dados do Sistema Único de Saúde, abastecido por todos os hospitais do Brasil, mostrou que o nordeste é a região que tem os mais altos índices de internação do País. De janeiro de 2008 a fevereiro de 2010, a Bahia registrou aproximadamente 80 mil internações por conta da doença. Para Jaquelina, a liderança do Estado pode ser um alerta na questão da qualidade do atendimento médico nos hospitais. “A falta de qualificação dos especialistas e as condições hospitalares precárias estão diretamente associadas a esses dados.”
No interior de São Paulo, em cidades onde há queima da cana-de-açucar, a internação por crise de asma tende a ser maior, pois a fumaça gerada no processo compromete o sistema respiratório da população. Nesse mesmo período, a capital paulista teve 38 mil casos registrados.
Conviver com a asma
Para controlar a doença é preciso estar atento aos sintomas. A asma provoca tosse seca, chiado, aperto no peito e dificuldade para respirar. Durante a crise, esses três fatores são freqüentes e agressivos, o que facilita o diagnóstico clínico. Jaquelina revela que a maioria das pessoas manifesta o problema logo na infância, o que não impede que eles só venham a aparecer na fase adulta. “É mais comum ela aparecer ainda quando criança, mas não é uma condição única da doença.”
O tratamento varia conforme a intensidade da doença, mas em geral é feito com inaladores. As famosas bombinhas de ar dilatem os brônquios e resgatam o paciente de uma crise de fraca a média intensidade. A médica revela que existem diversos mitos que pairam sobre as formas de cuidar da doença. “Há uma crença equivocada de que a bombinha pode matar. Não é o aparelho que provoca o óbito. Quando o uso dela passa a ser necessária em um intervalo curto de tempo, é sinal de crise severa. A bombinha não dá conta de reverter o quadro e é preciso procurar um atendimento médico com urgência. Se o paciente usar mais de três vezes o aparelho já deve procurar um pronto-socorro.”
Em casos mais graves, é recomendado, paralelo ao uso da bombinha, o tratamento com corticóides. Os possíveis efeitos colaterais da cortisona – inchaço, hipertensão, diabetes, aumento de peso – também comprometem o tratamento. “Muitas pessoas, por medo desses efeitos, deixam de fazer o uso via oral. A asma fica sem controle e as crises passam a ser freqüentes.” Hoje, a cortisona também pode ser inalada, o que diminuiu bruscamente danos comuns ao medicamento.
Dicas de prevenção
No frio, as pessoas tendem a ficar em ambientes fechados, com pouca circulação de ar. Jaquelina Ota explica que não é a temperatura mais baixa que acentua os sintomas da asma, mas o comportamento das pessoas perante o clima. “A baixa umidade diminui a defesa do sistema respiratório, deixando-o mais suscetível à doença.”
Para conviver bem com a doença, a especialista dá dicas simples que podem ser incorporadas ao dia a dia dos pacientes. Melhorar o ambiente em relação ao pó, varrer a casa todos os dias, passar um pano úmido nos quartos, manter a casa sempre ventilada e evitar o ar condicionado são pequenas atitudes que afastam as crises. A vacinação contra a gripe também é fundamental para o portador da doença. Qualquer vírus que comprometa as vias respiratórias pode prejudicar os sintomas da asma